Injustiça, Advocacia, Desordem e Monarquia: uma história mal contada (IV)


Ano Novo, problemas velhos.

Reunião de vereadores, 9 de Fevereiro. O Presidente apresenta a proposta para dar de mão beijada dinheiro dos contribuintes ao CDL OA.

– Caros amigos, srs. vereadores, sras. vereadoras, tenho a honra de vos apresentar um pedido de subsídio do CDL OA, no valor de 8.000 euros, para a feitura de um livro sobre a República das Bananas. Vamos proceder à votação.

O vereador Almíscar interrompe:

Sr. Presidente, tenho de saber aquilo que vou votar. Quem pediu o subsídio, quem subscreveu o ofício, etc., etc.

– Vereador Almíscar: compete ao Presidente atribuir apoio administrativo aos vereadores, não é assim?

– Claro que é, Sr. Presidente. A que propósito vem a sua pergunta?

– Bem, é que se as suas perguntas sobre o nome do requerente do subsídio forem consideradas impertinentes, a sua assessora Gata Pitões é retirada do seu gabinete e substituída pelo Gonçalo Caves D. Teodósio…

Sr. Presidente, por quem sois? Eu, fazer perguntas impertinentes? Então eu também não aprovei o conjunto folclórico comemorativo dos 250 anos? Se aprovei 1,25 milhões, não aprovaria 8.000 euritos?

– Almíscar, você ouviu falar nas Caves D. Teodósío e ficou logo grosso? Conjunto folclórico? Conjunto ESCULTÓRICO, porra!

Seja lá o que for, Sr. Presidente, mas permite-me que faça umas observações pertinentes sem que sejam consideradas impertinentes?

– Faça favor, Sr. Vereador. Ninguém respeita mais o Estatuto da Oposição que eu!

Bem, Sr. Presidente, é que isto está tão mau, dar 8.000 euros à Direcção Regional de Lisboa da OA quando a publicação é deles, tá a ver. Acho também que este dinheiro pode vir a fazer-lhe falta para uns jantares, para pagar multas ao Tribunal de Contas, enfim… Se me permite, Sr. Presidente, como se chama o Presidente da DRL da OA?

– Acho a sua pergunta impertinente! Não interessa o nome do Presidente! Aqui, em Oeiras, quando se referem ao Presidente da Câmara têm de acompanhar o título com o meu nome. No caso do subsídio para o livro do CDL não interessa o nome de quem pediu a comparticipação, porra!

Pois, até posso concordar, mas quando o Presidente Acabado Silva veio a Nova Carnaxide, nos convites e “flyers” que o Sr. Presidente Tininho Alheiras mandou imprimir, referiu-se sempre ao Presidente da República das Bananas, Acabado Silva.

– Já terminou, vereador Almíscar?

O Sr. Presidente Tininho Alheiras não me considere impertinente, contudo, a CêDêÚ recebeu a informação que o Presidente da Direcção Regional de Lisboa é o seu advogado Carlos Pinto d’Abreu dá Cá o Meu. Se assim for, há conflito de interesses…

– Sr. Vereador Almíscar Campos: o Sr. ofende-me com essas insinuações! Carlos Pinto D’Abreu dá Cá o Meu, não conheço, nunca me foi apresentado, não sei quem é! A sua observação é um atentado ao meu bom nome! Exijo que se retrate!

Sr. Presidente, eu posso tirar o retrato se V. Exa. pedir a comparência do Galdérico Alves, do Carlos Santos Campilho ou da Carmo Planície. Mas se fizer questão e para não se perder tempo, tiro a fotografia com o meu telemóvel!

– Mais uma graçola dessas e a Gata Pitões vai para o Gabinete da Habitação dos Navegadores e você leva com o Gonçalo Caves D. Teodósio como assessor.

Sr. Presidente, só mais uma questão. Permite-me?

– Vereador Almíscar: veja lá o que vai dizer!

Também ouvi dizer que o Sr. Presidente lhes prometeu uma sede na zona histórica, é verdade? E que o livro “Injustiça, Advocacia, Desordem e Monarquia” já foi impresso em 2010, quando o subsídio está a ser votado em 2011. Significa que o misterioso Presidente do CDL OA sabia que ia receber o subsídio antes de ser votado…

– Ainda bem que fala nisso, caro Vereador. Eu ia dar-lhes uma sede, pensei melhor e como não há vida na Cândido dos Reis vou antes dar a sede à Confraria do Vinho a Martelo. O centro histórico precisa de vida à noite e nada melhor para revitalizar aquela zona que abrir uma tasca da Confraria. Os borrachões saem da tasca altas horas da noite, cantarolam, arrotam, mijam nas paredes, peidam-se alto e bom som e a vida regressa ao centro histórico. Quanto ao livro, é verdade, saiu da tipografia em Novembro. Mas há algum problema nisto? A celebração do centenário da queda da Monarquia foi a 4 de Outubro, não esperava que o livro, que é um sucesso, diga-se de passagem, saísse da tipografia em Janeiro. O que acha, Vereador Almíscar?

Excelente ideia. É mesmo “mais à frente”. A rua toda cagada, mijada, gritaria, chega a bófia e porrada nos borracholas, ganda nóia!

– Sr. Vereador Ricardo Fado Rodrigues, quer dizer alguma coisa?

Sim, Sr. Presidente. A vereação PêésseDê acha uma excelente ideia. Aliás, V. Exa. já a tinha partilhado comigo e também me tinha convidado para cantar o fado na inauguração da tasca da Confraria do Vinho a Martelo, que eu aceitei com muita honra! O PêésseD vota a favor do subsídio ao CDL da OA. O nome do seu presidente não interessa. Carlos Pinto D’Abreu dá Cá o Meu? Esse nome é completamente desconhecido aos vereadores do PêésseDê. Aliás, na proposta nem fala nele. Para nós é assunto encerrado!

– Sr. Vereador Almíscar: espero que atente na atitude patriótica e municipalista do Vereador Ricardo Fado Rodrigues. Vamos à votação: quem vota contra, quem se abstem? Aprovada por maioria, com a abstenção do Vereador Almíscar.

Sr. Presidente: só uma pequena pergunta, pode ser?

– Claro, caro Vereador.

Sr. Presidente Tininho Alheiras: chegou ao conhecimento do meu gabinete que o livro “Injustiça, Advocacia, Desordem e Monarquia” foi impresso, por mero acaso, certamente, na mesma tipografia onde está o seu livro “Intervenções do Presidente da Câmara para Totós”. É verdade?

– Sr. Vereador: não faço ideia onde os meus livros de discursos são impressos – quem trata disso é o Gabinete de Desinformação – nem tão pouco onde foi impresso o livro do CDL OA. Acha que eu sou espião do SIS ou que Raquel Viena é do SIED? Por que não partilha com os restantes vereadores quem lhe deu essa falsérrima notícia? Vou-lhe poupar tempo: essa torpe insinuação veio daquele sindicato manhoso, o sindicato eSTALada. Assunto encerrado, Sr. Vereador Almíscar.

Conclusão: e assim se dá um subsídio sem sequer se questionar o nome do Presidente do CDLOA, se há ou não conflitos de interesses entre o requerente e o proponente. Depois queixam-se das multas do Tribunal faz de Contas.

Acta 9_02_11

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6 thoughts on “Injustiça, Advocacia, Desordem e Monarquia: uma história mal contada (IV)

  1. albert diz:

    A forma descarada como isto é aprovado, com apenas uma abstenção – abstenção, pasme-se por onde já vai o “honesto” PCP!- mostra o estado vicioso em que se encontra a CMO.

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