Do imaginário real ao real imaginário: entrevista a Chico Mouta Flores


Jornal Oeiras Mais Atrás (JOMA) entrevista* Chico Mouta Flores (CMF)

JOMA – Dr. Chico Mouta Flores sempre é candidato a Oeiras?

CMF – Ainda não me decidi. Estou em período de reflexão.

JOMA – Não considera que é um desafio aliciante?

CMF – Apesar de ter sido convidado pelo Alexandre Luzes, não gosto de estar nas luzes da ribalta, nem de dar nas vistas. Até porque estou numa fase de estudo. Enquanto não tiver um conhecimento bastante aprofundado do município prefiro manter alguma discrição.

JOMA – Quer dizer que ainda não respondeu ao convite do PêésseDê Oeiras? Mas ainda há pouco se referiu ao seu putativo adversário, Vistas…

CMF – Não me referi a Vistas, que não conheço, que nunca me foi apresentado, disse, sim, que não gosto de dar nas vistas, coisa bem diferente. Ainda não respondi ao convite do PêésseDê, preciso de mais elementos sobre o estado do município, dos compromissos assumidos, responsabilidades financeiras, etc.

JOMA – Já tem noção, já lhe fizeram chegar dossiês sobre os projetos em curso, as contas da autarquia…

CMF – Sim. Já recebi alguns elementos, não oficiais, de responsabilidades assumidas pelo executivo que, a confirmarem-se, me poderão levar a declinar o convite.

JOMA – Pode ser mais explícito?

FMF – Olhe, as PPPI, outro nome que eu desconhecia que era dado às Parcerias Público-Privadas, que em Oeiras do Piaaí acrescentaram o adjetivo ‘Institucional”. Começo a entender o que significa “mais à frente”. Estes acordos que resultaram na construção de duas escolas, Porto Salvo e na Mira-Flores (não sei se foi feita para eu, Flores, ver) em funcionamento, de dois centros geriátricos, em fase de acabamento, de um centro de formação profissional em Outorela e de um centro de congressos, em Paço D’arcos, parados devido a falta de meios financeiros, podem levar-me a não aceitar o convite. Outro dossiê que tenho em mãos refere-se à empresa de tratamento de resíduos “Estamoslixados”, que tem uma dívida de 150 milhões a um sindicato bancário, sendo que cerca de 30 milhões mais os respetivos juros são da responsabilidade do município de Oeiras do Piaaí!

JOMA – Mas, se o Dr. Mouta Flores se candidatar, se ganhar, se as obras que estão paradas se concluírem, é o seu executivo que vai beneficiar destes equipamentos…

CMF – Sim, mas a senhora coloca tudo no condicional, “se”, “se”, “se” e “se”. E a conta quem a paga? É a gestão do Dr. Tininho? Corrijo: quem é responsável pelas PPPI é Pablo Vistas, foi ele que coordenou os projetos e os contratos. Se a senhora me garantisse que Tininho/Vistas assumiam o pagamento das PPPI, a minha resposta seria dada já: sim!

JOMA – Não respondeu à minha pergunta: é ou não candidato?

CMF – Volto a responder-lhe: não sei! A vontade é muita, é um convite aliciante, mas não sou maluco nem me chamo Isabelinha Meireles. Tenho de ver os compromissos que o próximo executivo terá de cumprir entre 2013 e 2017 e, provavelmente, para além desta data.

JOMA – Quer dizer que rejeita os equipamentos que estão em construção?

CMF – Eu não disse isso. Equipamentos em construção? Mesmo os que estão em funcionamento, as escolas, a vereadora Madalena Crasto disse cobras e lagartos delas, que eram uma desilusão. Quando uma vereadora do executivo faz estas afirmações, é de esperar que haja outras “desilusões” nos restantes equipamentos.

JOMA – Ouve-se por aí que o Dr. Chico Mouta Flores preferia uma praça de touros no local onde está a carcaça do centro de congresso. Tem algum fundo de verdade?

CMF – Já estive no local e em tom de brincadeira disse que aquele espaço dava um ótimo redondel. Se a autarquia tiver de demolir o que já foi construído por caducidade das licenças de construção, por falta de financiamento, acho que uma praça de touros seria o ideal.

JOMA – Agora está a falar a sério ou a brincar?

CMF – Estou a falar a sério. Quando disse que ia dar a medalha de ouro da cidade de Santarém – PA a José Trocas pensavam que eu estava a brincar. Confirmou-se que estava a falar a sério. Na América Latina (Colômbia, México, Perú, Venezuela, Argentina) são doidos por corridas de touros. Se o governo e a Câmara de Cascais melhorarem o aeródromo de Tires, ou se a Força Aérea permitir a aterragem de aviões na Base de Sintra, teremos magotes, não de chineses, mas de sul-americanos em voos “charter” para virem ao Tauródromo de Oeiras. Temos de apostar no turismo e o turismo taurino tem futuro, assim o queiramos.

JOMA – Tauródromo? Turismo taurino? Ou tauromáquico?

CMF – Tanto faz: touro astrológico ou touro na arena é a mesma coisa. Se o hipódromo é para corrida de cavalos, tauródromo é para corridas de touros.

JOMA – Quanto aos dirigentes da Câmara Municipal já tem uma ideia sobre os mesmos, se os vai reconduzir, quais os critérios que considera essenciais na nomeação ou recondução de dirigentes?

CMF – Também me foi entregue o regulamento da organização municipal, bem como um dossiê de todos os dirigentes. Estou a estudá-lo. Os critérios serão sempre os da competência e do mérito. Se for candidato espero que todos os dirigentes, sem exceção, me entreguem a sua carta de demissão no dia da tomada de posse.

JOMA – Então é adepto do “rolar cabeças”?

CMF – Não ponha na minha boca palavras que não proferi. O que disse é que os dirigentes devem colocar o lugar à disposição, sendo ou não reconduzidos em função dos critérios que referi: competência e mérito.

JOMA – Quer dizer que já leu ou tomou conhecimento do perfil, currículo de alguns dirigentes e que considera não terem o perfil adequado para o cargo…

CMF – Sim, já vi alguns dossiês e acho, sem ter falado com as pessoas, sem conhecer o seu trabalho, servindo-me apenas das informações que me fizeram chegar, que é notório que há dirigentes que foram nomeados em função de outros critérios que não têm nada a ver os que enunciei.

JOMA – Quer exemplificar?

FMF – Dois exemplos. E vou-me socorrer da lei que José Trocas criou em 2006 que permite que um qualquer licenciado possa ser dirigente da administração pública, o que é um erro. Veja-se o que se passa nas nomeações para o Tribunal Constitucional. Acha que é possível nomear-se um médico para o Tribunal Constitucional? Ou um juiz para a Ordem dos Médicos? Ou um veterinário para Chefe de Finanças?

JOMA – Pode ser mais específico?

CMF – Tenho curiosidade em saber por que é que o dirigente responsável pela limpeza pública é licenciado em Direito, o dirigente responsável pelo plano diretor é licenciado em Direito. Faria sentido que fossem da área de gestão, do ambiente ou de ordenamento do território. Repito: esta minha avaliação é feita com base nos documentos que me foram entregues, não conheço pessoalmente esses dirigentes.

(1.ª parte de uma interessante entrevista com Chico Mouta Flores, putativo candidato ao Município de Oeiras, do Piaaí)

* imaginária q.b.

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5 thoughts on “Do imaginário real ao real imaginário: entrevista a Chico Mouta Flores

  1. Um elogio a Sócrates que valeu uma viagem de Santarém para Oeiras- Moita Flores é sinónimo de Isabel Meireles parte II

    Quem não se lembra do PSD furioso com o facto de Moita Flores ter elogiado Sócrates? Quem não se recorda dos rasgados comentários positivos de Sócrates à administração autárquica em Santarém? Pois é, Moita Flores, sem aparelho partidário em Oeiras foi enviado pelo PSD quando ainda lhe falta cumprir um mandato em Santarém…A vingança do PSD serviu-se fria e com memória de elefante! Arriscamo-nos a assistir à segunda parte da campanha de Isabel Meireles.O convite enviado pela concelhia do PSD a Moita Flores quando ele próprio já tinha confirmado essa possibilidade, revela que existe por parte do PSD Oeiras controlado por Isaltino Morais uma vontade que Moita Flores não ande em roda livre e que as listas para Juntas de Freguesia e Câmara Municipal sejam controladas e manipuladas pelas mesmas tropas que empolgam agora Moita Flores mas que na hora da verdade passarão informações para o adversário, aparecerão à mesma hora nos eventos e nos locais onde Moitas Flores aparecerá, darão a parecer que farão campanha mas na realidade nada farão, etc…etc…

    Admira-me a ingenuidade de Moita Flores em confiar unicamente no seu mediatismo, lembro que Marcos Perestrello aparecia semanalmente na televisão e mesmo assim não levou a melhor.Oeiras dá para fora uma impressão de grandeza de população que realmente não tem e conquistar o voto de pessoas que vivem e sentem o bairrismo da sua freguesia não é fácil para um candidato “paraquedista” e que será boicotado constantemente pelos PSD’S Isaltinados quando começar a campanha.

  2. Moita Flores, esse grande oportunista devia era dedicar-se a 100% à TV em vez de estar a dar cabo do dinheiro dos contribuintes. Ao menos assim quem se lixava era a TVI.

    O homem não vale mesmo nada. É mesmo do pior.

  3. Alguem ta com uma grande imaginação. Eles que resolvam as dívidas, essas bem verdadeiras, do Passos e seus amigos.

    O PSD está lixado. E depois vêm dizer mal da gestão financeira da CMO e inventar uma série de valores.

    Santa ignorância. Há gente mesmo burra.

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